Nesse pequeno texto vou fazer uma reflexão sobre o amor materno e o amor de um filho por sua mãe.
Eu fui uma criança muito traquina, gostava de brincar, pular, correr, andar de bicicleta, Jogar vídeo Game, bolinha de gude, peão e tantas outras coisas que as crianças de minha época (anos 80) faziam. Lembro de algumas passagens, que chegam até a ser engraçadas como quando morávamos em Jequié, numa casa no bairro São Luis e a gente pegou uma caixa de geladeira, fez um buraco nela parecido com uma porta, compramos balas e doces e brincamos de vender, como se fosse um comércio mesmo, para as pessoas que passavam na rua. Lembro de uma chuva forte, de granizo, na mesma cidade e Eu peguei uma caixa de creme dental e guardei, na inocência de uma criança, alguma pedras de granizo. Lembro vagamente mas meus pais, volta e meia contavam, que eu queria ir pra escola. Quando meu pai ia deixar meus irmãos no colégio (CEMES) ele me levava e eu ficava lá, brincando um pouco, mas não queria ir embora de jeito nenhum. Lembro de minha mãe dizer anos depois que ela não entendia como eu gostava tanto da escola mas não gostava de estudar. Descobri há uns 2 anos que na verdade não é que eu não gostava de estudar, é que a forma como a escola me ensinava, por repetição ou decoreba, nunca foi a melhor forma pra mim. Descobrir um nível de hiperatividade há uns 2 anos, quando não conseguia fazer algo repetidas vezes, era chato, mas isso é tema para outro texto.
Voltando ao meu convívio familiar, sempre fui muito querido por meus tios e tias, sinto até hoje quando encontro uma de minhas tias que me chama de “galego” outra me chama de “fomfom” outra de “fão”, de alguma forma esse jeito diferente me relembra carinho e amor e acho que nunca disse isso a elas, adoro quando me chama assim, me sinto amado, acho que é isso. Nasci em 1980 e lembro que via algo em comum em algumas tias e mães de colegas, todas elas saíam para trabalhar, se arrumavam e iam para o dia de trabalho, mas uma criança não entendia porque aquilo acontecia e porque la em minha casa era diferente, minha mãe não ia “trabalhar”, mais tarde entendi que o trabalho dela(que ela escolheu fazer) era instruir, ensinar, acompanhar e principalmente amar os 3 filhos.
Como filho mais novo (caçula) acho que acabei desenvolvendo um amor diferente por minha mãe, quando criança ela teve muito trabalho comigo, não gostava de estudar e me lembro como hoje que ela me fazia sentar na mesinha que tinha la em casa e eu tinha que ler a lição em voz alta, pra ela também ouvir e assim saber que eu estava estudando e lendo a lição. Lembro de muitas coisas de minha infância /adolescência, coisas que não precisam estar aqui mas estão registrados em minha memória mas uma das principais, quando já tinha 12 anos, é que eu não gostava muito de sair de casa, do convívio social eu gostava de ficar me casa com minha mãe, via filmes, fazia alguma coisa na cozinha enquanto ela preparava o almoço, via desenhos, ia pra escola e todo o resto. Acho que foi nesse período onde eu, fosse hoje a palavra seria antissocial, não gostava muito de sair de casa, acabei aprendendo a conversar com minha mãe sobre muitas coisas um hábito que perdura até hoje (maio/2020). Lembro da primeira menina que eu gostei, contei pra ela, da primeira desilusão amorosa, ela me ajudou a superar isso também, mais tarde já adulto e na faculdade lembro que eu queria trabalhar, num estágio ou emprego, e ela me pedia pra ter paciência, que na hora certa tudo ia dar certo e se ajustar. Quando estava com alguma dificuldade eu conversava, me abria, pedia conselhos e mais ou menos em 2007 eu vi alguma coisa diferente nela, não fisicamente mas não sei dizer, acho que vendo meus outros amigos/colegas de faculdade, como eles tratavam certas questões e os próprios pais percebi que eu havia recebido uma criação muito diferente, sempre fui cercado de muito amor, de muito carinho e contato materno/paterno, meus pais sempre foram muito presentes e participativos.
As vezes me pego pensando, certamente as pessoas mais próximas entendem, que eu falo pouco sobre meu pai mas falo demais de minha mãe, os dois tem o mesmo nível de importância, mas tem coisas que só uma mãe vai entender. Via que meus colegas não tinham uma “amizade” com suas mães, que não se abriam pra elas, não contavam “suas coisas” e como pra mim aquilo era habitual eu não conseguia entender porquê com os outros colegas era diferente. Entendi que o que eu tenho com a minha mãe é algo diferente, uma conexão muito forte formada por muito amor, carinho e também amizade e companheirismo.
Dia desses eu estava lembrando, uma namorada, me viu ao telefone e fiquei la acho que mais de uma hora, quando terminou a ligação ela me perguntou o que eu tanto conversava e com quem eu estava falando e eu respondi “estou conversando com minha mãe” senti no olhar dela a estranheza como quem pensava “como assim, ninguém conversa esses assuntos com sua mãe”, tempos depois ela entendeu que existia ali algo forte e especial, acho que ela entendeu que eu era um pouco diferente dos outros namorados, na forma que eu tratava, na forma de conversar talvez, no carinho (sempre fui uma pessoa muito carinhosa) e na forma de demonstrar esse carinho.
Eu tinha um hábito de quando eu chegava em casa já gritava “mãe!”, ela respondia eu ia até ela dava um beijo e um abraço nela e dizia “cheguei” e ia fazer minhas coisas. Por vezes eu a abraçava e beijava, não me importava quem estava próximo, aquele era o meu momento com minha mãe e nenhum tio/tia ia me impedir de fazer aquilo, acho que todos entendiam o nosso amor e nossa relação. Já bem mais tarde minha esposa falou, não me lembro com quem agora, acho que eu estava ao telefone com mainha ou alguma coisa assim, “eu não me meto nessa relação dele com a mãe dele, essa briga eu perderia com facilidade”. Ela entendeu que eu era 100% Neuza Futebol Clube.
No momento de vida atual, meu filho está prestes a nascer, 57 dias faltando, e tentarei passar pra ele o que tive com a minha mãe, essa relação gostosa de mãe e filho com uma dose generosa de amor, carinho e amizade. Com toda a certeza tentarei fazer o meu melhor, como sempre fiz no papel de filho, sobrinho, neto, marido e daqui a pouco Pai, contarei para o meu filho as minhas aventuras, as dificuldades, as conversas intermináveis com a mãe dele e também, é claro, a linda relação que eu sempre tive com sua avó que sempre foi de muito amor, carinho e amizade em breve acrescentarei o adjetivo “saudade” mas eu sei que ela vai estar sempre comigo, de alguma forma, me direcionando / ajudando e ainda teremos muitas conversas tão logo a gente se reencontre. Te amo mãe, um amor que está para além da vida!
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